Os próprios Deuses

Isaac Asimov – Os próprios Deuses

Por Leonardo Carnelos (www.artperceptions.com)

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Isaac Asimov[bb] (1920-1992) foi um dos maiores escritores de ficção científica de todos os tempos. Nasceu na Rússia[bb], mas viveu a maior parte de sua vida nos Estados Unidos[bb]. Sua obra vai desde livros de ficção científica, filosofia, divulgação de ciência, romances, thrillers policiais de ação e suspense.

Dentro de sua vasta obra de ficção científica, temos livros envolvendo as três leis da robótica[bb] e suas complicações, temos uma psicóloga de robôs, temos livros que tratam da viagem no tempo e seus paradoxos, temos a humanidade povoando a Lua, os demais planetas do Sistema Solar e toda a nossa Galáxia. Depois disso ele ainda descreveu as diversas complicações sociais, políticas, econômicas e tecnológicas de todos estes acontecimentos futuros. Ele realmente enxergou longe e até hoje é difícil achar um furo em seu repertório de “previsões” para o futuro.

Em homenagem ao conjunto de sua obra, em 1981 um asteróide recebeu o nome de 5020 Asimov[bb] e mais adiante, a Honda[bb]nomeou seu mais avançado robô com o nome de ASIMO, uma clara referência ao pai da robótica.

Na década de 1970, mesmo ele estando no auge da carreira e sucesso, Asimov era criticado por nunca abordar em seus livros temas como sexualidade e tampouco alienígenas. Ele tinha suas razão para tal, mas já que tinha sido desafiado, em resposta às críticas resolveu escrever o romance “The God Themselves” (Os próprios deuses, no Brasil, na década de 1980 foi lançada uma versão com o título traduzido como ”O Despertar dos Deuses”). O livro contêm sexo, alienígenas e sexo alienígena.

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Para o título do livro, Asimov se inspirou na citação de Friederich Schiller[bb]: “Mit der Dummheit kämpfen Götter selbst vergebens.” (“Contra a estupidez os próprios deuses lutam em vão”), claramente uma resposta à seus críticos. Friederich Schiller é o escritor e filósofo alemão que compôs a Ode à Alegria[bb] usada por Beethoven[bb] em sua Nona Sinfonia[bb].

Mais sobre a Nona Sinfonia de Beethoven em:

http://www.artperceptions.com/2011/08/nona-sinfonia-de-beethoven-ode-alegria.html

O livro é dividido em três passagens, e seus títulos referenciam a citação de Friederich Schiller:

Parte I – Contra a estupidez…

Parte II – …os próprios deuses…

Parte III – …lutam em vão?

Zona de Spoilers!!!

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A parte I narra um estranho acontecimento num laboratório, uma amostra de Tungstênio-186[bb] transformou-se estranhamente em Plutônio-186[bb]. Acontece que esta forma de Plutônio é extremamente instável segundo as leis da física conhecidas. Com o passar da narrativa, descobrimos que a amostra teria sido trocada por “alienígenas” de um “universo paralelo” onde as forças sub-atômicas eram diferentes da Terra.

O radio químico do laboratório passa então a incentivar que mais trocas de amostras sejam feitas, criando assim um bombeamento de Plutônio-186 para a Terra, gerando energia para os dois lados. Só que nem todos estavam confiantes das possíveis conseqüências dessa energia fácil.

Na parte II o autor passa a descrever o universo paralelo, um mundo habitado por seres bem diferentes dos humanos e eram divididos em “Suaves” e “Duros”. Os Duros eram a elite intelectual e governavam o universo paralelo, seu nome vinha do fato deles possuíam corpos mais rígidos e consistentes. Já os Suaves eram seres mais simples, de composição maleável, capazes até de modificar suas formas. Eles se juntavam em tríades contendo cada um dos tipos de Suaves que existiam no universo paralelo:

1) Emocional: porção feminina da tríade, os mais sutis e sensíveis, reunindo em si os sentimentos, emoções e preocupações.

2) Parentais: responsáveis pela gestação, criação e educação dos filhos à medida que eles nasciam.

3) Racionais: lado intelectual da tríade, com grande capacidade de aprendizado e raciocínio rápido, sua função era aprender sobre a vida com os Duros.

Após explicações e descrições do universo paralelo feitas, vemos Dua (dois em russo), uma emocional “casada” com Odeen (um em russo), um racional e Tritt (três em russo), um Parental; desconfiando que algo está errado desde que o bombeamento de Plutônio-Tungstênio se iniciara. Esta parte do livro tem um final tão sensacional que eu não me atrevo a descrevê-la nem aqui, na Zona de Spoilers!

Já na parte III, vemos um cientista se refugiando na Lua após ter sido desacreditado ao criticar a solução energética criada na parte I. Rapidamente ele se integra à comunidade selenita e passa a descobrir uma forma de salvar a Terra da destruição.

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Anos mais tarde à publicação, já no fim da vida, Asimov teria declarado que este romance era o seu favorito, e que a parte II, …os próprios deuses… foi a coisa mais criativa a qual teria criado. O livro ganhou o prêmio de Nébula de melhor romance em 1972 e o prêmio Hugo de melhor romance em 1973.

Apesar de sentir desprezo por aqueles que ousaram criticar tamanho gênio da literatura ao mesmo tempo acho que devemos agradecê-los, pois o desafio feito a Asimov gerou uma das sublimes obras de arte.

Referências

Isaac Asimov

http://pt.wikipedia.org/wiki/Isaac_asimov

The Gods Themselves

http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Gods_Themselves

Friederich Schiller

http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_schiller

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