Resenha: F de Foguete

Ray Bradbury – F de Foguete

por Leonardo Carnelos – Art Perceptions (www.artperceptions.com)

Ray-Bradbury

Ray Douglas Bradbury[bb] (1920-2012) foi um escritor de contos de ficção-científica norte-americano de ascendência sueca. Por causa do trabalho de seu pai (era técnico em instalação de linhas telefônicas), viajou por muitas cidades dos Estados Unidos, até que em 1934 sua família fixou residência em Los Angeles, Califórnia. Morreu aos 91 anos, de causas não divulgadas. Bradbury é mais conhecido pelas suas obras Crônicas Marcianas[bb] (1950) e Fahrenheit 451[bb] (1953).

F_DE_FOGUETE

F de Foguete (R is for Rocket) é uma antologia de contos de Ray Bradbury publicado originalmente em 1962 e traduzido para o português em 1978 pela editora Hemus. É notável a habilidade do escritor em escrever pequenas histórias com poucos conceitos científicos, mas de grande relevância literária. Ray Bradbury foi um escritor de primeira linha que conseguia romantizar como poucos a vontade de uma criança em se tornar astronauta, ou ainda a emoção de milhares de americanos que viam os foguetes cortando os céus no início do programa espacial.

Segue abaixo a lista de contos pertencente a esta antologia:

  • F de Foguete
  • O Fim do Começo
  • A Buzina de Neblina
  • O Foguete
  • O Astronauta
  • Os Pomos Dourados do Sol
  • O Som de Trovão
  • A Longa Chuva
  • Os Exilados
  • Aqui Haverá Tigres
  • A Janela Cor de Morango
  • O Dragão
  • O Presente
  • Gelo e Fogo
  • Tio Einar
  • A Máquina do Tempo
  • O Som do Verão Correndo

Os destaques são Gelo e Fogo que descreve um planeta que translada sua estrela a uma distância muito pequena, e portanto sua população vivia escondida e tinha muitos poucos dias de vida. A partir daí a história descrita é fantástica e se foca na jornada de uma família em busca de mais alguns dias de vida. Sensacional.

O outro conto que merece destaque é O Som do Trovão.

 

ZONA DE SPOILERS

Na história de O Som do Trovão, temos um futuro onde a viagem no tempo para o passado é possível, porém proibida dado o seu grande risco de alterar o presente de forma catastrófica. Apenas algumas poucas instituições possuem permissão para explorar comercialmente a viagem no tempo, porém são alvo de constantes fiscalizações por parte do governo. Uma dessas empresas cobra caro para realizar safaris no tempo, o cliente ricaço nomeia um animal, por exemplo um Tiranossauro Rex, e a empresa te leva lá para abatê-lo.

Durante o desenrolar da história é explicado que qualquer alteração no passado pode gerar uma alteração no presente. Quanto mais perto se viaja no tempo, menor este impacto, portanto quanto mais se volta no passado, a probabilidade de que qualquer pequena alteração gere um grande impacto no presente aumenta muito. Este é o caso de voltar milhões de anos no passado para caçar dinossauros. Para escapar deste problema, a empresa tomava todos os cuidados necessários, fazendo com que os viajantes no tempo pisassem apeans numa plataforma, as balas utilizadas no safari eram de gelo e o animal a ser abatido era um Tiranossauro velho, prestes a morrer.

Em meio a uma crise política e alguns protestos contra a viagem no tempo, um dos safaris aparentemente corre bem, mas na volta ao presente, seus participantes notam que algo está diferente e percebem evidencias reais disso quando vêem a notícia de que o partido de oposição estava no poder. Em uma rápida investigação, um dos participantes do safari percebe que pisou e matou uma borboleta, portatno o presente havia sido mudado para sempre. O que mais teria mudado? Ninguém sabia ao certo, pois o conto termina com o som de um trovão.

Este é um conto curto com uma premissa simples, mas que explorou com maestria as consequencias da viagem no tempo. Eu gosto muito da forma como os conceitos são apresentados no decorrer da história e a forma como o conto termina bruscamente e misteriosamente, este é um dos pontos altos do conto.

O Som do Trovão foi adaptado para o cinema em 2005 pelo diretor Peter Hyams.

O Som do Trovão

A primeira meia hora do filme conta exatamente a história do conto, porém o filme não termina bruscamente, ele cai na armadilha de prolongar a história e mostrar um futuro distópico tomado por plantas selvagens e homens-répteis, tudo isso para suportar um thriller de ação muito mal feito, uma pena.

Referências

Ray Bradbury

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ray_Bradbury

F de Foguete

http://en.wikipedia.org/wiki/R_Is_for_Rocket

O Som do Trovão

http://www.imdb.com/title/tt0318081/?ref_=fn_al_tt_1

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