Contágio – Parte 1

Por Daniel Rossi

Arredores de Abbottabad, Paquistão[bb], Maio de 2011.

A base americana improvisada ficava num velho galpão[bb] nos arredores da cidade. Do lado de fora, dois helicópteros estavam pousados e vários soldados da Joint Special Operations Command[bb] faziam a vigilância do perímetro. Dentro do galpão, mais soldados. A agitação da chegada dos soldados que realizaram uma missão muito importante dava lugar agora ao silêncio. A bem sucedida missão havia dado cabo de um antigo inimigo, cujo corpo agora estava em uma sala segura, onde apenas oficiais do mais alto escalão, médicos e um agente da CIA[bb], que estava ali como observador, tinham acesso.

O agente Mcnamara entrou na sala. Era um cômodo amplo, com equipamentos médicos e computadores. No fundo da sala, havia uma cadeira de madeira reforçada, com amarras para punhos e tornozelos, onde o cadáver do terrorista estava estranhamente acomodado. Ele achou insólito que o morto estivesse em tal posição. Havia preparado aquilo para pode interrogá-lo, mas essa situação não seria mais possível. O terrorista tinha levado três tiros de SCAR 16S[bb] no peito. Ao lado do corpo, o Dr. West mexia com alguns frascos de medicamentos, observado pelo General Groves, responsável pela missão.

Parece que vocês me inutilizaram aqui, General. – O agente apertou a mão do General e fez um cumprimento com a cabeça para o Dr. West.

– Parece que nosso amigo aqui não está em condições de fornecer nenhuma informação. – Fez uma menção com a cabeça em direção ao cadáver amarrado na cadeira. O General Groves fez o grosso charuto dançar para o canto da boca.

Não é o que parece agente. Segundo nosso amigo Dr. West, o senhor terá todas as informações que precisa. – O General deu uma risada sarcástica.

– Vocês vão se surpreender. – O médico/cientista sorriu sombriamente. – Acho que o assunto agora se torna confidencial General.

O general fez um gesto com a cabeça para os dois soldados que faziam guarda dentro da sala. Eles imediatamente se retiraram, trancando a porta atrás de si. Tinham uniformes um pouco diferentes dos outros soldados envolvidos na missão, e pareciam estar agindo conforme algum tipo de protocolo. Ficaram na sala apenas o General Groves, o Dr. West e o agente Mcnamara. O agente começou a ficar um pouco incomodado com a situação.

– Acho que é a hora de vocês me esclarecem o que está acontecendo aqui. – O agente queria respostas. Estava ali unicamente para obter informações do terrorista, mas este jazia com o peito dilacerado, jogado numa cadeira no fundo da sala. O Dr. West sorriu e abaixou-se para pegar uma valise feita de material metálico que estava escondida abaixo de uma das mesas. Na sua parte de cima, via-se o símbolo de aviso sobre perigo biológico. O cientista abriu a valise e retirou de seu interior um invólucro com um material líquido esverdeado, que parecia reluzir e brilhar quando a pouca luz do ambiente o iluminava.

– Este é o composto R-A 137. E ele é tão extraordinário quanto à forma como ele chegou até nós, se é que você me entende. – O Dr. West parecia cada vez mais sombrio e excitado com a situação. Soltava risos nervosos entre as frases, e fazia tanto o agente quanto o general duvidarem da sua sanidade. – Ele vem sendo estudado e desenvolvido desde 1947, e finalmente parece estar pronto para uso em seres humanos.

Mcnamara não tinha ideia do que estava acontecendo ali, mas o ano que o cientista citara despertou a sua atenção:

– Espere um minuto, 1947? Você quer dizer…

Rosswell[bb] agente. – O general cortou-o bruscamente. – Segundo o nosso amigo Doutor aqui, esta porcaria veio do espaço.

– Sim. Existe muito folclore sobre os acontecimentos daquele dia. Mas a realidade é que o incidente realmente existiu. Uma nave se espatifou na propriedade de um fazendeiro da região. Existiam três seres na nave, mas apenas um sobreviveu. Mas ele reviveu seus dois companheiros utilizando este composto.

– Você quer dizer que você vai ressuscitá-lo? – O agente parecia ter sido absorvido para algum filme de terror que assistira em sua infância. “Além da Imaginação[bb]” talvez?

– Infelizmente o composto tem alguns efeitos colaterais em humanos: eles se tornam extremamente violentos e passam a buscar incessantemente a forma de energia que faz o composto continuar a agir em seus corpos.

– Fonte de energia? – A cabeça do agente girava.

– Carne humana. Parece que a única forma de manter o composto funcionando no sistema do espécime é ingerindo grandes quantidades de carne humana. Infelizmente este efeito colateral ainda não conseguiu ser equacionado. Ele não aconteceu nos seres alienígenas, de qualquer forma.

– Isto é loucura. – Mcnamara voltou-se para o general. Seu semblante era calmo. Com certeza ele já havia presenciado algo do tipo. O agente tirou os óculos e enxugou a testa com um lenço.

– Mas… – balbuciou. – Se ele for revivido em uma fúria canibal, como será possível conseguir alguma informação?

– Existe este outro elemento. – O cientista continuou. – É um derivado de fortes calmantes combinados com soro Pentotal…

– “Soro da verdade” agente. – Groves baforou mais uma vez o charuto, tirou-o da boca e cuspiu.

O assunto pareceu morrer ali. O agente puxou uma cadeira e sentou-se, resignado. O general se recostou em um canto da sala. O Doutor preparou duas infusões. Uma, em uma seringa grande, com o tal composto alienígena modificado. A outra, em uma dardo, que ele colocou em uma pistola de ar comprimido e entregou para o General. Ministrou a primeira diretamente no cérebro do terrorista através de uma abertura em seu crânio que havia sido preparada previamente.

O interrogatório iria começar.

6 Responsesto “Contágio – Parte 1”

  1. Daniel Rossi disse:

    Dúvido que algum leitor ache todas as referências que fiz no texto!

  2. Bernardo Cury disse:

    PelamordeDeus, cadê a parte 2????

  3. Juggernaut disse:

    Osama Zumbi! mal posso esperar pela 2ª parte.

  4. […] Contágio – Parte 1 Vida Longa e Próspera […]

  5. Will Gac disse:

    Ficou bastante interessante e envolvente pela forma que colocou. Como qualquer tipo de escrita de suspense, você adicionou frases curtas com pontos finais bem colocados, o que aumenta um ar de mistério e que é muito encontrado em escritos de primeira pessoal… Mas colocar em terceira, foi genial e me prendeu até o fim da leitura. Uma ou duas palavras erradas, mas que não passam de meras poeiras em vista a sua habilidade de escrita e boa história. Meus parabéns! :]

Leave a Reply

'