Crônicas Jedi – Dúvida

Crônicas Jedi – Dúvida

Seus pulsos estavam presos em dois grilhões de metal e o prendiam na parede com os braços abertos. Os ombros formigavam e doíam, o que indicava que ele estava ali já há algum tempo. Acordara abruptamente quando seu algoz o esbofeteou com força. Arqueou o corpo para conseguir a posição mais confortável possível. A visão embaçada começou a clarear, e ele pode vislumbrar o rosto de seu captor, que lhe pareceu vagamente familiar.

Estavam os dois no que parecia ser um grande e mal iluminado depósito. A noite sem estrelas mal possibilitava ver, mas percebiam-se inúmeros contêineres empilhados, aguardando que algumas naves cargueiras os levassem aos seus destinos. Como bom contrabandista que fora outrora, percebeu que não era nenhum dos depósitos oficiais da República[bb].

– Você não sabe quem eu sou, mas eu sei quem você é… – o ser de forma alienígena falou – Eu venho de uma “família” que preza muito a honra… E apesar de nossos negócios com Jabba[bb] nunca realmente terem se concretizado, você cruzou o caminho de um dos nossos.

Estava confuso, mas parecia começar a entender. A semelhança do alienígena com alguém do passado começava a se tornar mais clara. Mas já fazia tanto tempo e tanta coisa tinha acontecido desde aquela vez que ele esteve na cantina de Mos Eisley[bb] que ele custava a acreditar que todo aquele suplício fosse por algo tão remoto.

– Meu primo era uma pessoa complicada… Cresceu rápido demais e se envolveu com Jabba[bb] cedo demais… – A calma na voz do alienígena o deixava ainda mais amedrontador. – E ele era imaturo demais para perceber a escória com que estava lidando. Quando soube que ele havia sido morto, não posso dizer que fiquei surpreso. Na verdade, eu teria até ignorado o fato, mas a forma como aconteceu é que despertou o ódio de meu pai. Você o matou a sangue frio…

– Eu apenas me defendi… E se quer saber, ele teve o que mereceu… – balbuciou o prisioneiro, sendo interrompido abruptamente por outra bofetada certeira.

– Talvez. Mas agora, você terá também… – Desabotoou o coldre e começou a sacar a pistola lentamente, como em um ritual. A arma com uma insígnia reluzente fez o contrabandista lembrar-se das “famílias” contrabandistas Rodianas. Os grilhões que prendiam os pulsos do prisioneiro se soltaram e ele desabou. Ele fitava seu algoz agora ajoelhado no chão.

O alienígena estava a pouco mais de dois metros do prisioneiro. Ergueu a arma e preparou-se para disparar.

– Assim como ele não teve chance de se defender, você também não terá…

– É fácil dizer que ele não pode se defender sendo que ele estava com uma arma na minha cara! – começou a se desesperar.

O alienígena puxou o gatilho. Mas milésimos de segundo antes que ele o tivesse feito, viu um flash de luz esverdeada passar a sua frente. Quando olhou novamente, metade de sua arma estava no chão a sua frente.

– O que?! Quem ousa?!

O sabre de luz[bb] Jedi[bb] havia feito um arco ao redor do criminoso e voltara à mão de seu mestre.

– Este homem é um general da Nova República[bb] e qualquer hostilidade contra ele será encarada como um ato de guerra. – O Jedi soava mais calmo do que realmente estava.

– Ele é um criminoso e assassino! – gritou furioso.

– Você também o é! – Retrucou o Jedi. – A sua “família” é uma das mais notórias da galáxia. Seu código de honra me parece rígido demais para quem realiza tantos crimes hediondos em tantos sistemas diferentes. Eu o deveria levar em custódia agora mesmo, mas estou disposto a trocar a sua liberdade pela vida do seu prisioneiro.

O criminoso salivava de raiva, mas não estava disposto a enfrentar um mestre Jedi. Desde a queda do imperador eles haviam ressurgido, e mesmo que ele conseguisse enfrentá-lo (o que era muito improvável), outros iriam ao seu encalço. Como estava sozinho na missão de vingança, seria melhor deixar o embate para outro dia, quando outros membros da “família” estivessem juntos para lhe auxiliar.

– Ele vive desta vez. Mas não se engane. A conta dele não está fechada. As contas com nossa família nunca fecham. – Virou-se e caminhou rumo à escuridão.

O Jedi ajudou o amigo a se levantar.

– Parece que eu te devo mais uma, Luke. – O sarcasmo voltava lentamente, assim como a força nas pernas. – Sobre aquele dia em Mos Eisley… Greedo ia me matar garoto…

– Eu sei Han. Eu sempre soube. E eu nunca tive dúvida que você atirou primeiro.

6 Responsesto “Crônicas Jedi – Dúvida”

  1. Fernado Souza disse:

    Caralho, minha cabeça explodiu!

  2. Nerd_Corruptor disse:

    Eu sempre soube também!

  3. Samanta Santos disse:

    Muito bom! Han shoot first!

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