O Fugitivo – Parte 10

O Fugitivo – Parte 10

Por Daniel Rossi

A garrafa de whisky estava quase vazia. Praticamente escondido em uma mesa no fundo de um bar ao lado do Hospital onde o amigo falecera algumas horas antes, o Agente Jones tentava organizar os pensamentos. Harper, o fugitivo que ele e o parceiro haviam recapturado a duras penas estava agora sobre escolta da polícia local. Ele mesmo deveria estar lá, de prontidão à porta do quarto, mas mesmo ao lado da cama de Richardson, ele nada pode fazer. Tinha certeza, apesar dos médicos dizerem que a causa da morte havia sido uma embolia pulmonar, que a misteriosa enfermeira era a causadora da morte do amigo. Sentia agora um misto de raiva e impotência. Quem teria enviado a mensagem ao seu celular enquanto Richardson agonizava? Estaria um Senador da República envolvido com gente tão perigosa assim? E qual seria o propósito? Estava tão imerso em seus pensamentos que não percebeu o homem parado ao seu lado, observando-o virar mais um copo.

– Emprestando um pouco da alegria de amanhã, agente?

Jones teve um sobressalto. Seu instinto foi procurar pela arma no coldre embaixo do terno, mas suas mãos já estavam um pouco inebriadas demais para terem a agilidade necessária. O homem ao seu lado o tranquilizou.

– Isso não será necessário. Estou aqui para ajudar.

As palavras pareciam ecoar na cabeça do agente, e ele atribuiu isso a quantidade de álcool circulando em sua corrente sanguínea. Virou a cabeça lentamente e viu o homem puxar uma das cadeiras da mesa e sentar-se à sua frente. Aparentava ser um senhor na casa dos seus sessenta anos, porém o seu rosto guardava uma jovialidade que passou despercebida aos olhos embaçados de whisky do Agente. O homem lhe estendeu um aperto de mão.

– Meu nome é James McGuiness, ex-comandante do Décimo Terceiro Batalhão de Operações Especiais.

Jones pensou por alguns momentos. Tinha vários conhecidos militares, inclusive espiões da C.I.A., mas não se recordava do batalhão que o desconhecido à sua frente mencionara. Jones retribuiu o aperto de mão, porém manteve a desconfiança.

– Nunca ouvi falar deste batalhão…

– Essa é a ideia meu caro, essa é a ideia.

Antes que o Agente pudesse questionar mais alguma coisa, James tomou as rédeas da conversa. Apesar de aparentar estar extremamente calmo, o tempo era curto caso que ele quisesse ajudar o Federal bêbado a sua frente.

– Não temos muito tempo, por isso vou direto ao assunto. Você deve estar ciente que está lidando com forças que você desconhece. Eu posso ajuda-lo, caso você aceite.

– Mas por que você me ajudaria?

– Parece que temos um inimigo em comum Agente. E o inimigo do meu inimigo é meu amigo.

– E como você pode me ajudar?

O misterioso homem estendeu a mão sobre a mesa.

– Poderia começar me dando a sua arma.

Jones levou um susto, mas a calma na voz do senhor à sua frente era praticamente hipnótica. Por algum motivo que desconhecia sentia-se seguro perto dele. Retirou discretamente a arma do coldre por baixo do paletó e a passou ao homem. Com perícia acrobática, o enigmático senhor retirou o pente da arma e a bala que estava na agulha. Guardou o pente retirado no casaco e retirou um novo pente, colocando-o rapidamente na arma. Em seguida, empurrou com opé, por debaixo da mesa, uma sacola até que ela se encostasse na perna de Jones. Este olhou para baixo e percebeu que ela estava cheia de caixas de munição.

– Recomendo que se você tiver mais alguma munição convencional com você, que você se livre dela. Você vai querer usar esta munição especial que estou lhe dando, acredite.

Jones observou enquanto o McGuiness manuseava a arma, alheio a todos ao redor. Estranhou que a garçonete havia passado por eles várias vezes e visto o homem mexendo na arma, mas pareceu não se importar. Parecia que todos a sua volta agiam como se ele não estivesse realmente lá.

– Eu… eu não entendo. – Jones começara lentamente a recobrar a totalidade de sua sobriedade.

Eu me admiraria se você entendesse. Mas tudo ao seu tempo. Imagino que o bilhete premiado esteja com você?

– Sim, está.

– Guarde-o com cuidado, ele pode vir a ser útil. O importante agora é tirar Harper daquele hospital o mais rápido possível. Ele é importante demais para ficar vigiado apenas pelos policiais locais. Eu tenho um carro preparado para uma fuga, mas eu não posso ser visto dentro do hospital. Você terá que trazê-lo até a mim. Mas antes temos uma coisa mais importante a fazer.

– Mais importante? – Jones não compreendia o que poderia ser mais urgente do que proteger a sua testemunha chave.

– Sim… – McGuiness confirmou. – Precisamos colocar você em condições.

O ex-militar virou-se para a garçonete, que pela primeira vez pareceu perceber a sua presença.

– Querida, traga o café mais forte que você tiver para o meu amigo aqui. Ele bebeu um pouco além da conta.

Algumas xícaras de café depois, incrementadas com um “remédio caseiro” de James e o Agente Jones estava preparado para a ação.

Do lado de fora, sem que os dois novos amigos soubessem, uma aglomeração de pessoas começara em frente ao hospital. E ela ia bem além dos curiosos querendo saber sobre o fugitivo do bilhete premiado.

Continua…

No Responsesto “O Fugitivo – Parte 10”

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