O Fugitivo – Parte 11

O Fugitivo – Parte 11

Por Daniel Rossi

Alguns minutos antes.

– McGuiness está aqui!

A voz trêmula de Bill, homem de confiança do Senador, no aparelho celular dava o tamanho do problema da presença do misterioso homem na cidade. Do outro lado da linha, o Senador engoliu em seco. Sua jornada pessoal por vingança acabara de tomar uma dimensão que ele nunca tinha imaginado. Sentado na escrivaninha de seu escritório, ele esmurrou a mesa com raiva!

– Chega! Feche a cidade! Faça tudo o que for preciso para trazer este maldito até mim!

– Mas senhor, os ucranianos estão na cidade, eles saberão o que estamos fazendo…

– Eu não estou pedindo a sua opinião! Cumpra a minha ordem!

O maltratado telefone do Senador foi novamente esmurrado contra o seu gancho. Do outro lado da linha, o capanga olhou a sua volta para os outros dois companheiros que o acompanhavam e fez um gesto com a cabeça.

– Fechem a cidade.

A estranha ordem foi executada imediatamente. Os diversos agentes espalhados pela cidade para acompanhar o trabalho dos agentes Jones e Richardson colocaram em prática o arriscado plano. Nas estradas que davam acesso à pequena cidade, os capangas começaram um estranho ritual, colocando fogo em pequenas caixas metálicas, que jogavam profusamente no ar uma espécie de fumaça avermelhada.

Bill guardou o telefone celular no bolso e quando menos se deu conta, foi surpreendido por um ucraniano ao seu lado.

– Tepesov ficará sabendo desta insubordinação. Avise o seu chefe. Nós iremos atrás dele.

As palavras carregadas de sotaque atingiram Bill como um soco no estômago. Aqueles associados de seu chefe sempre lhe causavam arrepios. Apareciam do nada e sumiam em seguida, sempre espreitando as atividades criminosas do Senador. Porém eles nunca intervinham, apenas observavam se tudo corria conforme o acordado com o grande chefão ucraniano. Até hoje tudo correra bem, mas a vingança pessoal do Senador parecia ter ido longe demais.

De fato, não demorou muito para que os atos dos capangas do Senador começassem a ter efeito. A estranha névoa que se lançava das caixas de metal começou a invadir a pequena cidade. Os capangas imaginavam que se tratava de algum gás paralisante ou coisa parecida, ao qual eles estavam imunizados de alguma forma. Mas na verdade seu efeito pareceu ser oposto. Os primeiros afetados foram os curioso que se aglomeravam em frente ao hospital da cidade querendo saber sobre o assassino do bilhete premiado ou simplesmente aparecer nas fotos do jornal local, que cobria o caso. Um tumulto se iniciou na multidão, como se uma torrente de ódio tivesse se instaurado na população. Mas o que assustou Bill e seus amigos não foi isso. A fúria insana parecia direcionada apenas ao hospital, que tornou-se alvo da turba enfurecida.

O Agente Jones e James McGuiness saíram do bar no exato momento em que o tumulto alcançava o seu auge. Enquanto Jones observava atônito o rompante de fúria da multidão, McGuiness retirou um pequeno frasco de comprimidos do bolso. Entregou um para Jones enquanto engolia um ele mesmo.

Rápido, tome isso!

O Agente Jones teve uma ponta de desconfiança, mas a situação tinha se tornado tão surreal que não havia tempo para dúvidas. Os dois homens sentiram o comprimido queimar seus estômagos como uma azia forte. Correram em seguida para um ponto de onde poderiam observar mais claramente a praça de guerra. Mas ao fazerem isso, foram avistados pelos homens do Senador.

– Ali! Peguem eles! – Bill apontou em direção a eles.

Houve então um instante de silêncio sepulcral. Por longos segundos, a fúria ensandecida ganhou uma pausa, enquanto as centenas de pessoas que faziam parte dela a esta altura se viravam lentamente, os rostos pálidos e os olhos vermelhos de cólera, em direção aos dois homens. O silêncio então irrompeu novamente em urros raivosos, e a massa começou a se deslocar rapidamente em direção aos dois homens. McGuiness olhou para Jones e só teve tempo de dizer uma palavra.

– Fuja!

Continua…

No Responsesto “O Fugitivo – Parte 11”

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