O Fugitivo – parte 12

O Fugitivo – Parte 12

Por Daniel Rossi

– Mas que diabos está acontecendo aqui?

Os olhos de Jones mostravam um certo ar de desespero. McGuiness entendeu que o agente começava a duvidar da própria sanidade dado aos eventos que presenciara. Estavam os dois agora encurralados em um depósito no centro de uma pequena cidade, cercados por uma turba enfurecida que tentava a todo custo derrubar a porta de metal que os separava de seus perseguidos.

– Não há tempo para explicar agora. Você terá que confiar em mim.

As palavras de McGuiness foram ditas com firmeza, e colocaram um pouco de calma no agente do FBI.

– Primeiro preciso dispersar essa gente. Eles são vítimas inocentes do Senador e de seus homens.

– Mas como? Eles parecem cães raivosos, loucos para nos estraçalhar.

James não respondeu. Olhou em volta e percebeu uma escada no fundo do armazém que parecia levar até o telhado do mesmo.

– Não saia daqui, eu tive uma ideia.

– O que?

Antes que Jones pudesse protestar, McGuiness já estava se lançando pela escada, subindo os degraus aos saltos com extrema agilidade, para o espanto do agente.

Já no topo do prédio, o misterioso homem olhou para o céu nublado daquela noite e esboçou um leve sorriso. Retirou o que parecia uma carteira de couro do bolso de trás de sua calça. Ela continha pequenas quantidades de diversas ervas. Ele pegou uma pequena quantidade de uma em especial e colocou no chão a sua frente. Com um isqueiro, ele acendeu a pequeno monte, que soltou uma fumaça alaranjada. Ele então começou a sussurrar um mantra, quase inaudível devido ao gritos da multidão enfurecida na rua dois andares abaixo.

As nuvens acima da cidade, que eram escassas e finas começaram a tomar um volume maior. Alguns relâmpagos começaram a se formar entre elas, até que de repente um trovão retumbante ecoou por toda a cidade, chegando até mesmo a trincar o vidro de algumas janelas. Assustado com o estrondo, a população enfurecida teve a sua atenção voltada para o céu.

Houve um instante de silêncio, que foi quebrado pelos primeiros estampidos secos de algo que caia do céu e se espatifava no asfalto. Eram pedras de granizo, do tamanho de um laranja que se precipitavam agora das nuvens acima da cidade sobre a multidão.

Rapidamente as pessoas começaram a se dispersar, procurando abrigo da terrível tempestade, que estranhamente parecia pairar agora somente sobre o centro da cidade. Quando as ruas estavam praticamente desertas, uma chuva torrencial seguiu-se dispersou a fumaça avermelhada que os homens do senador haviam liberado, jogando os habitantes que tinham sido afetados por ela num sono profundo. Apenas os homens do senador estavam na rua agora.

McGuiness desceu as escadas correndo, chamando Jones para que eles se dirigissem para o fundo do armazém, de onde saíram por uma porta para o beco nos fundos do prédio. Jones viu então a rua lavada e as enormes bolas de gelo que derretiam.

– Eu não entendo o que você fez, mas devo admitir que foi eficiente.

O comentário fez com que James McGuiness risse, mas na verdade o aliviou. Percebeu que Jones, apesar de ainda não entender exatamente o que acontecia, estava ciente que deveria entrar na dança. A prioridade agora era chegar até o hospital, onde Harper provavelmente ainda estava. Mas teriam que passar pelos homens do Senador antes. Só que eles podiam ser enfrentados à bala.

Os dois homens avançaram por quatro quarteirões lentamente, trocando tiros com os capangas que apareciam. Apesar de em menor número, os dois homens conseguiram avançar, pois a pontaria de McGuiness era impecável, e a de Jones era muito boa também.

– Preste atenção agora! Está vendo aquele Audi estacionado ao lado da entrada principal?

James indicou o automóvel para Jones.

– Preciso que corra até ele e dê a volta no hospital. Eu estarei com Harper lá em dez minutos.

Jones esboçou um protesto, mas percebeu que era inútil discutir. Enquanto McGuiness lhe dava cobertura, o agente correu, atirando ele mesmo em dois capangas no meio do caminho. Jogou-se então dentro do carro, arrancando com violência. Blindado, o veículoera imune aos tiros de seus inimigos, e ele aproveitou para atropelar um que insistiu em ficar em seu caminho.

Enquanto isso, James McGuiness entrava no hospital, em busca do fugitivo Harper.

Continua…

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