Solaris

Solaris de Stanislaw Lem

stanislaw lem

Stanislaw Lem[bb] foi um proeminente escritor polonês de ficção científica e filosofia. Seus livros foram traduzidos para mais de 57 idiomas e venderam mais de 45 milhões de cópias. Ele talvez seja mais bem conhecido como o autor do romance Solaris[bb] de 1961, que foi adaptado para o cinema duas vezes.

Sua obra explora temas filosóficos; especulação sobre tecnologia, a natureza da inteligência, a impossibilidade de comunicação e compreensão mútuas, desespero face às limitações humanas e o lugar da humanidade no universo. Em entrevistas posteriores (2005), Lem expressou sua decepção com a ficção científica como gênero literário, e seu pessimismo generalizado em relação ao progresso tecnológico. Ele via o corpo humano como inadequado para viagens espaciais, argumentava que a tecnologia da informação afundava as pessoas num lodaçal de informações de baixa qualidade, e considerava robôs realmente inteligentes ao mesmo tempo indesejáveis e inexeqüíveis.

Um dos temas mais presentes de Lem era a impossibilidade de comunicação entre humanos e civilizações profundamente alienígenas. Seus extraterrestres costumavam ser incompreensíveis para a mente humana, fossem eles enxames de insetos mecânicos (como em The Invincible), um oceano vivo (em Solaris), alienígenas mais ou menos antropomórficos (Eden) ou civilizações de bases biológicas totalmente diversas da noção de vida na terra (Fiasco), explorando sempre o fracasso em estabelecer o primeiro contato. No livro Regresso das Estrelas, Lem narra a adaptação de um astronauta a uma sociedade radicalmente diferente daquela por ele deixada um século antes. Em A Voz do Mestre, Lem descreve os esforços mal recompensados da nata intelectual da humanidade em decifrar uma mensagem recebida do espaço.

Apesar dele ser um severo crítico dos autores de ficção científica americanos, a maioria de seus livros foi traduzido para o inglês, alguns poucos traduzidos para o português de Portugal e apenas Solaris foi traduzido para o portugês do Brasil, uma pena.

solaris

Solaris é o livro de ficção científica escrito por Stanislaw Lem e publicado em 1961. Um planeta é constituído de um imenso oceano inteligente. Exploradores tentam entrar em contato com essa inteligência “não humana”. O oceano envia a cada explorador um “visitante”, réplica de uma pessoa que ele conheceu no passado. O livro relata o fracasso dessas tentativas de comunicação.

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Zona de Spoilers!

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O psicólogo e astronauta Kris Kelvin chega a estação espacial em Solaris para fazer pesquisa científica e se depara com alguns fenômenos estranhos que lá acontecem. Ao chegar já descobre que seu colega Gibarian suicidou-se e que os outros dois tripulantes da estação espacial estão perturbados com fenômenos provavelmente provocados pelo oceano do planeta Solaris. Este oceano era dado como um organismo único, vivo e consciente. O que aparenta ser a movimentação de ondas em sua superfície são equivalentes à contração de músculos de um indivíduo. Os cientistas que por lá passaram estudaram por décadas o oceano, criando a disciplina solarística, que nada mais era do que simplesmente observar, registrar e classificar os fenômenos complexos que acontecem na superfície do oceano. Nenhuma conclusão formal ainda tinha sido postulada sobre o que significava a atividade de tal ser. A tripulação em questão passou a bombardear o oceano com raios-X para tentar receber alguma resposta dele, mas a resposta vem em forma bem inesperada, cada tripulante recebe uma visita, de um indivíduo reconstruído a partir de suas próprias memórias.

Já na primeira noite Kelvin recebe a visita de Rheya, sua ex-mulher a qual se matou após ele ter abandonado o casamento, e que portanto ele se sentia responsável por sua morte. Os outros tripulantes Snow, Sartorius e o já falecido Gibarian também recebem visitantes, mas seus personagens não são tão bem desenvolvidos durante a trama.

Primeiramente Kelvin tenta se livrar de Rheya por saber que ela não era real, mas depois que ela reaparece, reascende  nele o afeto que ele tinha por ela e enquanto os demais tripulantes tentam entender o que está acontecendo e a verdadeira natureza dos visitantes, Kelvin tenta descobrir um jeito de continuar com Rheya. Entretanto no decorrer da trama vemos que a própria Rheya ao descobrir sua verdadeira natureza se sente confusa e se suicida novamente, uma vez tomando oxigênio líquido, porém como ela “feita de neutrinos” as feridas se regeneram. A segunda tentativa é eficaz, pois ela contou com a ajuda de Snow e do aparelho montado por Sartorius que mais ao final do livro descobre como se livrar dos visitantes.

A tentativa de comunicação da estação espacial com Solaris foi um fracasso, ao bombardear o oceano com altas cargas de Raio-X, o oceano apenas respondeu com uma agressão, expondo os tripulantes aos seus maiores medos personificados na forma de visitantes que voltaram para assombrar suas vidas.

Apenas lendo este livro do autor, é possível verificar sua habilidade em descrever com detalhes um futuro onde estações espaciais e viagens interplanetárias são extremamente corriqueiras. O começo do livro tem aquele ar de suspense na medida certa, sem descambar para o terror de Alien, por exemplo. O livro é envolvente e o escritor faz com que o leitor participe do dilema vivido pelo protagonista, dividido entre a culpa e o desejo de reparação, entre o amor e a ciência, entre a lógica e a razão, entre a realidade e o imaginário.

Destaco ainda os dois capítulos em que o autor descreve as teorias solarísticas, onde diversos cientistas tentaram desvendar os mistérios de Solaris, até então sem sucesso. E por fim, a última reflexão de Kelvin, postulando que o oceano de Solaris era um Deus imperfeito, que eles estavam diante de um berçário de deuses e os tripulantes da estação espacial seriam seus chocalhos, ou melhor dizendo, suas cobaias. Que final fantástico para um livro fantástico.

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O livro Solaris teve duas adaptações para o cinema, uma do diretor russo Andrey Tarkovskiy em 1972 e outra do diretor Steven Soderbergh em 2002. Os filmes são bons mas ambos ficam aquém do livro por caírem na armadilha de focar seus enredos no amor de Kelvin por Rheya ao invés de explorar as diversas possibilidades de discussão filosófico-religiosa que o livro proporciona.

Não foi surpresa saber que o escritor não gosta das versões traduzidas para o francês e inglês de seus livros, tampouco das adaptações de Solaris para o cinema. Não dava para esperar nada diferente de um escritor tão preocupado com a comunicação homem-alienígena. No fundo, o que ele quer dizer é que nós humanos não conseguimos nos comunicar com os outros animais da Terra, aliás mal conseguimos nos comunicar direito com outros humanos, por que esperar que a comunicação homem-alienígena seria simples e fácil?

Ainda em tempo neste artigo, é nítida a influência de Stanislaw Lem na obra de Carl Sagan, Contato. Eu imagino o cientista americano se frustrando ao ler os fracassos de comunicação entre humanos e alienígenas e a partir daí vislumbrando a possibilidade de desenvolver uma metodologia de como criptografar informações a serem enviadas aos alienígenas compiladas todas num disco que foi colocado na sonda espacial Voyager, com sons de animais, figuras humanas e assim por diante.

O livro Contato possui a mesma estrutura narrativa de Solaris. Primeiro temos a apresentação dos personagens, depois temos a tentativa de contato alienígena,  o contato em si é carregado de carga psicológica e emocional (os visitantes de Solaris são os mesmo de Contato), depois temos uma fase de descrença e por fim temos uma análise filosófico-religiosa e metafísica. A principal diferença é com o clima do final, Carl Sagan conseguiu terminar sua história de forma feliz, já o escritor polonês fez questão de fazer exatamente o contrário.

Referências

Solaris (1961)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Solaris_(livro)

Stanislaw Lem

http://pt.wikipedia.org/wiki/Stanislaw_lem

http://english.lem.pl/

Solaris (1972)

http://www.imdb.com/title/tt0069293/?ref_=fn_al_tt_2

Andrey Tarkovskiy

http://www.imdb.com/name/nm0001789/?ref_=tt_ov_dr

Solaris (2002)

http://www.imdb.com/title/tt0307479/?ref_=fn_al_tt_1

Steven Soderbergh

http://www.imdb.com/name/nm0001752/?ref_=tt_ov_dr

Carl Sagan

http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_sagan

Contato

http://www.artperceptions.com/2009/12/carl-sagan.html

Programa Voyager

http://pt.wikipedia.org/wiki/Programa_Voyager

 

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