Como podem ser as HQs no futuro?

Com um tablet e o advento dos aparelhos multimídia super-portáteis, você já tem acesso à internet e já pode baixar bibliotecas inteiras de livros, revistas e HQs para ler aonde quiser, enquanto durar a bateria da coisa.  Mas até o momento, na sua grande maioria, tudo que tablets e eReaders fazem é traduzir pra uma plataforma digital quase exatamente o que vemos ao manusear as boas e velhas páginas de celulose, inclusive simulando a viradinha de uma para outra, sem grandes ousadias ou efeitos de som e imagem, apesar da capacidade dos aparelhos.

Aparecem de vez em quando uma ou outra excessão, geralmente muito tímida, pois ou o artista é bom mas não tem noções de programação, interatividade e outras mídias ou a programação é boa, mas a história é fraca e não vale a pena perder tempo com ela.

No entanto, estas excessões estão ficando cada vez mais ousadas, o que nos leva a pensar: como serão as histórias em quadrinhos no futuro, quando os artistas da nona arte resolverem nos entregar mais do que apenas desenhos e textos, mas também sons, vozes, efeitos e até interatividade nas suas obras?

Enquanto fuçava nas internets encontrei dois exemplos de como a apresentação dos gibis está mudando. Um deles é DeepComix,  um quadrinho vendido como um aplicativo gratuito, para iPhone e iPad, que leva a fundo (perdão pelo trocadilho) a percepção de profundidade e a perspectiva utilizadas nas HQs. Você pode virar seu tablet e a a arte se justa à inclinação, e a transição de quadro para quadro não é convencional como tem sido comumente visto nos quadrinhos digitais, mas sim um efeito de mudança de camêra mais parecido com os vistos em filmes de ação. Dê uma olhada em como ele se parece no vídeo abaixo.

O outro projeto que me chamou bastante a atençao é uma webcomic original, completa com animação, música, narração e grande interatividade, chamada Brandon Generator, contando a história de um escritor com bloqueio criativo ficando cada vez mais neurótico e por vezes, surreal. E mais uma coisa: ele é viciado em cafeína. Dependentes de café, UNI-VOS! (Requer inglês afiado)

Uma das coisas mais interessantes de Brandon Generator é que o leitor pode contribuir para a história, colocando textos, imagens e até sons ao final de cada capítulo. Esse conteúdo é aproveitado no capítulo seguinte e passam a fazer parte da narrativa. E a produção não sofre dos males aos quais me referi acima, contando com profissionais muito competentes em suas próprias áreas atuando em conjunto para mesclar arte convencional, animação, CGI, sons e efeitos de maneira agradável e instigante.

O projeto é patrocinado pela Microsoft como propaganda para as capacidades do Internet Explorer 9 (mas não se preocupem, já testei e ele roda inteiro no Chrome).

Na minha opinião, eu aprecio bastante esse tipo de iniciativa. Realmente espero que este tipo de projeto ajude a popularizar as histórias em quadrinhos e atraia mais leitores, principalmente quando os tablets deixarem de se tornar objetos de desejo de ricos e geeks e possam ser realmente usufruídos por todo mundo. Num futuro bem próximo, creio que quadrinhos em fascículos curtos mensais serão distribuídos somente em plataforma digital, deixando para os colecionadores apenas edições encadernadas, e espero que a quantidade de leitores ocasionais aumente muito graças a isso.

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